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Mianmar (antiga Birmânia)

REPORTAGEM ESPECIAL: Transição silenciosa

Jovem birmanesa mostra cartaz com imagem da líder pró-democracia Aung San Suu Kyi e de seu pai, o general Aung SanSoe Zeya Tun/Reuters

Por Cláudia Trevisan, enviada especial a Rangum

Isolado por sanções econômicas e governado por uma das mais longas ditaduras militares do mundo, Mianmar vive uma ebulição de reformas, que levaram à libertação de centenas de presos políticos, amenizaram a censura, legalizaram sindicatos e terminaram com anos de confinamento domiciliar de Aung San Suu Kyi, a mulher que simboliza a oposição ao regime.

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As mudanças transformaram o país no mais novo palco da disputa por influência na Ásia entre Washington e Pequim. Com as sanções econômicas do Ocidente, a China se tornou nos últimos anos o principal investidor externo em Mianmar, que é rico em gás, petróleo e minérios, além de ser uma opção de acesso ao mar para as províncias do Oeste chinês.

O sinal mais evidente da mudança de rota do governo nominalmente civil que tomou posse em março de 2011 foi a suspensão de uma hidrelétrica de US$ 3,6 bilhões financiada por Pequim, que ficaria com 90% da energia a ser produzida. A decisão foi anunciada em outubro, algumas semanas antes de Hillary Clinton chegar a Mianmar, na primeira visita de um secretário de Estado norte-americano em 50 anos.

Com a perspectiva de levantamento das sanções, caravanas de empresários passaram a viajar ao país, que também começou a atrair mais turistas. Os antes ociosos hotéis de Rangum - maior cidade e antiga capital - estão agora com ocupação elevada e tarifa triplicada. "Está se abrindo uma nova grande fronteira para negócios", afirma o embaixador José Carlos da Fonseca, que instalou a representação diplomática do Brasil em Mianmar em outubro de 2010, às vésperas da eleição legislativa e da libertação de Aung San Suu Kyi. "Chegamos na hora certa".

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Mianmar (antiga Birmânia)
Chefe de Estado (desde)

Thein Sein (2011)

Capital (pop.)

Nay Pyi Taw (1 mi)

Etnias (1996)

birmaneses 69%, outros 31%

Religião

budismo 74,5%, cristianismo 7,9%

Governo

ditadura militar desde 1988

Idiomas oficiais

birmanês

Constituição

2011

População (ranking)

53.999.804 (24º)

Área (ranking)

676,578 km² (40º)

PIB (ranking)

US$ 82,72 bi (77º)

Taxa de desemprego
(2010)

5,5% (54º)

IDH

0.483 (149º)

Despesas com defesa

2,1% do PIB (67º)

Taxa de inflação

8,9% (2011)

Fonte:Almanaque Abril 2012, Cia World Factbook, Economist, Transparency International, United Nations Development Programme