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Crise nas Maldivas

Paraíso tropical no Índico passa por golpe de Estado, mas resorts luxuosos das ilhas seguem cheios de turistas

Apoiadores do ex-presidente Mohamed Nasheed em um protesto pedindo para que o governo realize eleiçõesSinan Hussain/AP

Por Solly Boussidan, enviado especial a Malé

Em 2008, Mohamed Nasheed, do Partido Democrático das Maldivas (MDP), derrotou o líder autoritário Maumoon Gayoon, tornando-se o primeiro presidente democraticamente eleito do país, algo que só foi possível devido à adoção de uma nova constituição, que estabeleceu poderes legislativo e judiciário independentes.

Até então, Gayoon havia liderado as Maldivas autoritariamente por 30 anos, suprimindo a oposição. Apesar da realização periódica de eleições durante seu regime, opositores eram coagidos a não disputar o pleito. Mesmo derrotado, Gayoon conseguiu manter no poder diversos de seus aliados e seguiu controlando o judiciário, impedindo Nasheed de depor e punir figuras corruptas e criminosas do antigo regime.

Em 30/1/12, policiais aliados a Gayoon supostamente encontraram bebidas alcoólicas na mansão presidencial de Nasheed: as Maldivas são um país islâmico, que observa a lei religiosa em assuntos não especificados na constituição. Bebidas alcoólicas só são liberadas para estrangeiros nos resorts. O consumo por cidadãos é considerado ato grave e a descoberta fez com que, em uma série de manobras políticas, juízes aliados a Gayoon emitissem uma ordem de prisão contra o presidente.

O vice, Mohamad Wahid, apoiado por militares e policiais rebeldes, tomou o poder e formou um gabinete composto por antigos aliados de Gayoon - a filha dele, por exemplo, foi nomeada ministra de Exteriores. Temendo um retorno aos anos de chumbo, nos quais cidadãos eram oprimidos enquanto turistas viam no país um destino paradisíaco, os maldivos têm protestado nas ruas de Malé - a capital - exigido a antecipação das eleições presidenciais.

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TV Estadão
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Presidente acusa sucessor de chegar ao poder por meio de um golpe

Maldivas
Chefe de Estado (desde)

Mohammed Waheed (2012)

Capital (pop.)

Male (104 mil)

Etnias (1996)

maldívios 97%, árabes 2%

Religião

islamismo 98,4%

Governo

República presidencialista

Idiomas oficiais

maldivense

Constituição

2008

População (ranking)

394.451 (176º)

Área (ranking)

298 km² (209º)

PIB (ranking)

US$ 2,8 bi (179º)

Taxa de desemprego
(2010)

14,5% (144º)

IDH

0.661 (109º)

Despesas com defesa

5,5% do PIB (13º)

Taxa de inflação

6% (2010)

Fonte:Almanaque Abril 2012, Cia World Factbook, Economist, Transparency International, United Nations Development Programme