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30 anos da Guerra das Malvinas

Ilhas situadas no Atlântico Sul são ferida aberta na sociedade argentina; Buenos Aires reivindica o território, controlado pela Grã-Bretanha

30 anos da Guerra das Malvinas

Por Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires
 
"Si quieren venir, que vengan... les presentaremos batalla!" ("Se quiserem vir, que venham, entraremos em batalha!"). Com esta exclamação, em tom de desafio aos ingleses, o general Leopoldo Fortunato Galtieri recebia uma ovação da multidão acotovelada na Praça de Mayo no dia 2 de abril. O motivo da euforia: o desembarque de tropas argentinas na noite do dia 1 de abril, que no raiar do dia seguinte haviam tomado o controle total das ilhas Malvinas, arquipélago reivindicado pela Argentina desde 1833.

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A Argentina estava em guerra. A última vez em que o país havia se envolvido em um conflito bélico foi a Guerra do Paraguai (1865-70). A única experiência das tropas era o combate à guerrilha e a repressão a civis. De quebra, 70% dos soldados que Galtieri enviava às ilhas eram recrutas do serviço militar.

Mas a multidão, na praça, estava confiante sobre a vitória na guerra. Os manifestantes, eufóricos, cantavam os versos "Le vamos a quemar, le vamos a quemar toda la flota, y se van a volver a Inglaterra en pelotas" (Vamos queimar, vamos queimar toda a frota, e eles vão voltar à Inglaterra nus").

Nas primeiras semanas de abril a Junta Militar tentou acenar com a ideia de aplicar o Tratado Interamericano de Defesa (Tiar) e esperava o respaldo dos Estados Unidos. Galtieri tinha a certeza de que o presidente Ronald Reagan estava agradecido pelo combate ao comunismo feito pela ditadura argentina. Os generais argentinos diziam que tinham um grande aliado: o "general inverno". Além disso, afirmavam que as tropas inglesas chegariam desgastadas pela longa viagem até o arquipélago.

Mas a história começou a virar quando, no dia 20 de abril, os britânicos recapturaram as Geórgias do Sul. No dia 1 de maio o submarino nuclear HMS Conqueror torpedeou o cruzador General Belgrano, que foi a pique, matando afogados (ou na explosão) 323 homens. Outros 700 foram resgatados em meio a uma tempestade no mar. O primeiro efeito foi um recuo generalizado da Marinha argentina, que não saiu mais dos portos até o fim do conflito bélico.

No dia 4 de maio, foi a vez dos argentinos, que afundaram o HMS Sheffield com um míssil Exocet disparado desde um avião Super-Étandard, fato que causou grande impacto no público britânico. O tom propagandístico da ditadura tornou-se mais religioso, e os militares argentinos alertavam contra o inimigo "ateu, pornógrafo e protestante" e evocavam a proteção da Virgem de Luján. Simultaneamente, em um verdadeiro show de travestismo ideológico, a ditadura procurava o respaldo da Líbia de Muamar Kadafi e da URSS e mandava emissários à cúpula de países não-alinhados na Cuba de Fidel Castro. Enquanto isso, no Atlântico Sul os mútuos ataques aeronavais continuavam.

Na noite de 21 de maio os britânicos desembarcaram na área de San Carlos, no noroeste da ilha oriental das Malvinas. A partir dali as tropas enviadas pela premiê britânica Margaret Thatcher avançaram rapidamente pelo interior da ilha. Depois de vencer a Batalha de Goose Green (Pradera de Ganso Verde, na nomenclatura argentina), as tropas britânicas avançaram rumo a Stanley, capital do arquipélago. Ali, novos combates foram travados em Mount Harrier, Two Sisters e Mount Longdon. Esta última foi considerada a batalha mais dura de toda a guerra.

Na sequência, na noite do 13 de junho, os argentinos foram derrotados em Mount Tumbledown, última linha de defesa natural para a capital das ilhas. No dia seguinte, às 21h, o general Mario Menéndez assinou a rendição perante o general Jeremy Moore.

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Malvinas (Falkland Islands)
Administração

Gov. Nigel Haywood (desde 2010)

Capital

Stanley

Religião

Cristãos 67,2%; nenhuma 31,5%; outros 1,3%

Governo

Território britânico ultramarino

Idiomas oficiais

Inglês

Constituição

2009

População (ranking)

3.140 (230º)

Área (ranking)

12.173 km² (165º)

PIB (ranking)

US$ 164,5 mi (216º)

Taxa de desemprego
(2010)

4,1% (36º)

IDH

Dado indisponível

Despesas com
defesa

Sob responsabilidade
da Grã-Bretanha

Taxa de inflação

1,2% (2003)

Fonte:Almanaque Abril 2012, Cia World Factbook, Economist, United Nations Development Programme

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