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'Faxina' nos ministérios

Em pouco mais de um ano de gestão, Dilma trocou oito ministros, seis envolvidos em denúncias de corrupção

A presidente Dilma com Fernando Pimentel (e) e Aloizio Mercadante (c)André Dusek/AE

A presidente Dilma Rousseff deu início no dia 18 de janeiro à reforma ministerial, ao confirmar a saída do ministro Fernando Haddad (Educação), que vai disputar a prefeitura de São Paulo nas eleições municipais de 2012. Aloizio Mercadante deixou o Ministério de Ciência e Tecnologia e assumiu a pasta de Educação.  A ministra Iriny Lopes deve ser a próxima a sair, já que pretende disputar as eleições em Vitória, ES.

No final de janeiro, em reunião com a equipe de ministros, Dilma disse que seu governo terá como bandeira a reforma do Estado. Além disso, expôs o que espera da equipe para não tropeçar na gestão, como ocorreu no primeiro ano de governo, marcado por crises políticas. Mário Negromonte, o oitavo ministro a sair, deixou a pasta por denúncias de irregularidades, da adulteração de pareceres técnicos em obras da Copa a reuniões com lobistas. Pesou também para a decisão um racha na bancada do PP, que, em sua maioria, não se sentia mais representada pelo atual ministro. Foi substituído pelo pepista Aguinaldo Ribeiro.

Carlos Lupi foi o sétimo a cair, embora tenha recebido apoio da presidente. Lupi, que chefiava a pasta do Trabalho, chegou a ser um apaziguador da discussão sobre o salário mínimo no Congresso, quando seu partido votou contra o valor proposto pelo governo. No entanto, não resistiu às denúncias ao ter desmentidas suas justificativas para o crime de tráfico de influência na Pasta. Lupi então disse só sair da Esplanada “à bala”, o que contou contra o ministro. Depois de o Conselho de Ética da Presidência recomendar sua demissão, Lupi pediu demissão em um domingo, quando um importante jogo de futebol acontecia.

Alvejado por acusações de desvio de dinheiro para abastecer o caixa do PC do B, o titular do Esporte, Orlando Silva, entregou o cargo um dia depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) anunciar a abertura de inquérito para investigar denúncias de seu envolvimento em crimes contra a administração e desvio de dinheiro público.Aldo Rebelo assumiu a pasta.

Antes dele, foi Pedro Novais, ministro do Turismo. Novais saiu da pasta após nove meses e uma série de escândalos. A maioria das denúncias diz respeito à nomeação de apadrinhados e uso de verba pública para fins pessoais. Seu substituto no ministério é outro peemedebista maranhense aliado de Sarney, o deputado  Gastão Vieira.

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, foi a quarta baixa do governo de Dilma Rousseff. O pedido para sua saída foi potencializado depois que a imprensa veiculou denúncias de corrupção na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), órgão ligado à pasta, envolvendo contratos e favorecimento de fornecedores em troca de financiamento de campanha e tráfico de influência no ministério.

Único ministro que não tinha envolvimento em denúncias de corrupção, Nelson Jobim deixou o cargo depois de declarações polêmicas sobre colegas de ministério. Em agosto, chamou Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, de “fraquinha” e disse que nova a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, “sequer conhece Brasília”. Antes disso,  já havia declarado que votou em José Serra na eleição de 2010. Para o seu lugar, foi chamado Celso Amorim, que garantiu continuidade na linha de atuação.

Um esquema de cobrança de propina no Ministério dos Transportes e em órgãos ligados à pasta, como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Valec Engenharia , estatal que administra as ferrovias derrubou o ministro dos Transportes Alfredo Nascimento. Inicialmente, ele recebeu o apoio de Dilma, mas não resistiu às denúncias e saiu da pasta.

A queda do ministro-chefe da Casa Civil Antonio Palocci foi a primeira baixa do governo Dilma Rousseff. Responsável por toda a articulação política do Palácio do Planalto, Palocci não suportou a onda de denúncias sobre seu patrimônio pessoal e pediu demissão, alegando que assim sua permanência prejudicaria a ‘continuidade do debate político’. No seu lugar, assumiu Gleisi Hoffmann.

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