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Farc e governo colombiano negociam paz

Esta é a 3º tentativa de acabar com o conflito, que dura 50 anos; a última rodada foi há dez anos, mas o acordo fracassou

Milhares de colombianos foram às ruas no país para protestar contra as FarcStephen Ferry/NYT

OSLO - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo de Bogotá retomaram em Oslo negociações para pôr fim ao conflito mais antigo da América Latina, que em quase 50 anos deixou cerca de 60 mil mortos. As conversas de paz estão suspensas desde 2002, quando fracassou a iniciativa do ex-presidente Andrés Pastrana de criar uma zona desmilitarizada que serviria para um possível acordo.

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Uma histórica reunião a portas fechadas na capital da Noruega marcou o início do processo. Esta é 3ª vez em que guerrilheiros e o governo da Colômbia tentam acabar com o conflito. O presidente Juan Manuel Santos espera que, após dez anos de ofensiva militar patrocinada pelos EUA, as Farc estejam suficientemente enfraquecidas a ponto de buscarem a paz com mais seriedade do que em tentativas anteriores. Ex-ministro da Defesa, Santos anunciou em setembro que os dois lados negociaram em Cuba os termos para uma pauta preliminar, que previa o início das discussões em Oslo e sua posterior transferência para Havana.

Representantes das Farc - que, se estima atualmente, são compostas por entre 8 e 9 mil integrantes - e do governo do presidente Juan Manuel Santos oficializaram o recomeço do diálogo para "expressar a vontade política mútua de formar uma mesa de negociação que finalmente solucione o conflito na Colômbia", disse ao Estado o cientista político Carlos Medina Gallego.

Os cinco itens da pauta incluem assuntos delicados, como o narcotráfico, os direitos das vítimas do conflito, a propriedade fundiária, a participação política das Farc e o fim da guerra civil. Apesar das negociações, militares e rebeldes mantêm seus ataques, e os guerrilheiros recentemente atingiram instalações de energia e mineração. Santos rejeitou uma oferta de cessar-fogo durante o processo de paz.

A pressão popular para que o governo dê fim ao conflito com a guerrilha tem crescido. As Farc são responsáveis pela redução de pelo menos um ponto percentual ao ano no PIB colombiano. Em seu auge, a guerrilha chegou a ter 20 mil combatentes, mas sofreu milhares de deserções nos últimos anos.

Também conhecidas como Ejército del Pueblo (Exército do Povo) ou pela sigla Farc-EP, as Farc são uma organização de inspiração comunista, autoproclamada guerrilha revolucionária marxista-leninista. O grupo, existentente desde 1954, atua por meio de táticas de guerrilha, promovendo assassinatos, atentados e sequestros. O caso mais conhecido é o da ex-senadora Ingrid Betancourt, que ficou sob poder do grupo por seis anos.

Última atualização: out 2012

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