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Demóstenes Torres

Senador conhecido pelo discurso anti-corrupção, teve nome ligado a empresário Carlinhos Cachoeira em esquema de jogos de azar

André Dusek/AE

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) foi envolvido em denúncias de corrupção por sua ligação com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Alvo de grampos telefônicos em que demonstra intimidade com Cachoeira, a quem chegou a chamar de "professor", Demóstenes complicou-se ao tentar explicar as relações com o chefe de esquema de jogos de azar investigado pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. A repercussão do caso o levou a pedir seu desligamento do partido para evitar ser expulso pela sigla.

Cachoeira foi preso em 29 de fevereiro em Goiânia. A operação investigou um esquema de exploração de máquinas caça-níqueis. As investigações da polícia demonstraram que Cachoeira teve contatos com vários políticos de Goiás, entre eles com Demóstenes Torres. O parlamentar também recebeu presentes de Carlinhos Cachoeira.

No dia 10 de abril, o Conselho de Ética do Senado acatou a representação do PSOL para investigar o caso.

Além de Demóstenes, as investigações da Polícia Federal apontam o envolvimento de deputados de Goiás, os quais, segundo gravações telefônicas, evidenciariam trocas de favores e influência do empresário na pauta do Congresso. Foram mencionados Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO), Sandes Júnior (PP-GO), Jovair Arantes (PTB-GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ).

Veja abaixo a cronologia do caso:

29 de fevereiro
O empresário do jogo do bicho Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, é preso na Operação Monte Carlo. A PF descobriu que ele e Demóstenes Torres trocaram quase 300 telefonemas.

23 de março
Segundo a revista Carta Capital, o senador receberia 30% da arrecadação de Cachoeira com o jogo ilegal para fazer o caixa 2 de campanha eleitoral. O jornal O Globo mostrou que grampos da PF revelaram que o senador pediu dinheiro e deixou vazar informações oficiais a Cachoeira. O empresário deu ao senador uma cozinha de R$ 30 mil.

27 de março
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) que abra um inquérito para investigar o senador. Entre os crimes a serem investigados constam os de corrupção passiva, prevaricação e advocacia administrativa. Pressionado pelas denúncias, Demóstenes deixa a liderança do DEM.

28 de março
O PSOL decide pedir, no Conselho de Ética do Senado, a cassação do mandato do senador por quebra de decoro. A sigla alega que as denúncias desprestigiam o Senado e seus integrantes. Novos grampos da PF revelam que o nome do senador Demóstenes Torres é citado em conversas nas quais Cachoeira se refere a quantias milionárias.

29 de março
Relator do caso, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, abre inquérito e determina a quebra do sigilo bancário do senador e de outros investigados por suspeita de envolvimento com o empresário Carlinhos Cachoeira. No inquérito são apuradas suspeitas de corrupção, prevaricação e advocacia administrativa.

03 de abril
Pressionado pela cúpula do Democratas,  Demóstenes Torres (GO) pediu sua desfiliação do partido. Com a iniciativa, Demóstenes antecipou-se à decisão do DEM de abrir um processo que fatalmente o levaria à expulsão.

10 de abril
O Conselho de Ética do Senado acatou a representação do PSOL contra Demóstenes, por envolvimento com o empresário do ramo dos jogos ilegais Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O senador tem prazo de 10 dias úteis, a partir de sua notificação, para apresentar sua defesa. 

Também nesse dia, os presidentes da Câmara, o deputado Marco Maia (PT-RS), e do Senado, senador José Sarney (PMDB-AP), decidiram pela formação de uma CPI mista para investigar as relações entre o contraventor e parlamentares.


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